Toyota & coyotes.

Darcy Suzuki | Atualidades, Contra-informação | Sábado, 2 de Fevereiro de 2008

A montadora de automóveis Toyota Motors Corporation foi originada de uma fabriqueta de maquinarias de fiação de Sakichi Toyoda (豊田佐吉 とよ さきち)que viveu entre 1867 a 1930. Os primeiros registros oficiais datam em setembro de 1933 pelas mãos do seu filho Kiichiro Toyoda (豊田 喜一郎 とよだ きいちろう).

Devido à numerologia aliado aos números de toques de pincel do ideograma japonês a marca já estava rebatizada de Toyoda para Toyota em 1937.

Acima de tudo, um projeto nacional, em 1959 a cidade em que ocupava a matriz também mudara de nome para Toyota-shi cedendo o título do primeiro quarteirão do bairro Toyota à sede da empresa. Portanto, a Toyota Motors fica em Toyota-shi, Toyota-cho Quadra 1, no coração do Japão e nos corações dos japoneses.

Esta vanguardia para se (auto-)superar vem portanto, antes do pós-guerra. Sabe-se lá o que faziam durante a guerra mas como todo tratamento dado a qualquer ídolo ou idolatrado, a Toyota deve ter passado no deserto. Entenda-se que antes da montadora ser mais uma no cenário mundial, a Toyota é muito mais. A Toyota no Japão é sinônimo de tecnologia, modus operandi, modus vivendi e modus essendi.

Muito embora, com toda a eficácia a Toyota introduza processos como os modelos dos kanbans para o controle de estoques, (Copiados por seus técnicos das livrarias que desde sempre, seus produtos, livros e revistas, contêm um pequeno filete de papel especificando-o, e que levados ao caixa são devidamente coletados e ao final do dia eram re-encomendados às editoras, facilitando o processo de atualização de estoque; neste mercado que editam cerca de 200 novas edições ao dia. Hoje são os códigos de barra que cumprem esta função.) atualmente, ocorre o inverso; todo e qualquer empreendimento não acoplando os ensinamentos e os preceitos da Toyota estão fadados ao insucesso. Do processo de compra e venda de telefones celulares a uma mega compra e entrega automatizada de um hipermercado; de uma pizzaria de entrega à domícilio ao processo logístico de uma pequena fábrica.

Detentora e sabedora da importância desta cultura adquirida a Toyota cumpre o seu papel distribuindo manuais a quem interessar deva, que vão desde os princípios de uma linha de montagem de eficiência total, disposição de máquinas para a produção limite ao mais baixo custo e qualidade máxima, até os procedimentos para aperfeiçoar harmonicamente os departamentos pessoais para casos de entraves trabalhisticos, e também, dispositivos para uso de mãos de obra estrangeira.

Um dos pilares que ajuda, e muito, este projeto nacional, é a imprensa japonesa. Logo após ao anúncio de que a forma da General Motors contar os carros produzidos seja no pátio ou nas revendedora pelas totalidade, divergirem da forma de contar da Toyota Motors, sempre justos, contando os produzidos e vendidos, os meios de comunicação japoneses vieram uníssonos lembrando que a Toyota ainda não era a maior produtora de veículos. “Fica para o próximo ano.” dizia cabisbaixo o noticiarista. Exacerbados e ineptos, no Brasil já anunciavam notícias outras. Baboseiras e falando de processos tecnológicos sem material humano educado.

Eis no entanto, que esta façanha só está possível devido ao achatamento salarial pela qual passa o povo japonês. Desde que o dólar no ano de 1995 atingiu o contra-pé dos empresários japoneses, chegando bem abaixo de 100 ienes, apressou-se as devidas mudanças para passar incólumes à turbulências o empresariado; mudando-se as regras de contratação de pessoal, admitindo mulheres em linhas de produção noturnas e alternadas, a equiparação e a não diferenciação do trabalho entre homens e mulheres, reduzindo horas extras, antecedendo aposentadorias aos idosos, renovando todo o fronte nivelado num nível mais enxuto, e, outras estripulias mais, entre M&A, parcerias, conjunções de forças. Erra quem diz que a Toyota está isento deste processo.

Não por isso, o atual presidente da Toyota Motors. Hiroshi Okuda presidiu o Keidanren, a associação dos empresários japoneses, uma espécie de Fiesp, mas inteligente e com uma visão mais ampla e longinqüa, nos anos de 2002 a 2006. Os anos principais para toda esta transformação.

Com isto, todos os economistas japoneses não vacilam em dizer que o dólar pode chegar até os 90 ienes que a economia japonesa não quebra. Aliás, como o Japão importa quase tudo, das matérias-primas à alimentação, perigando até levam uma certa vantagem na totalidade.

Isto é, claro e logicamente, porque aumenta o número de pessoas que ganham menos no país. Eu e você.

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