As palavras chaves no Japão hoje!!!

Darcy Suzuki | Na sintonia do momento | Domingo, 30 de Dezembro de 2007



年賀状     ねんがじょう     ネンガジョウ
Nengajyou
Cartão Postal de Ano Novo

Consta que só a Coréia do Sul, China e Taiwan mantêm esta cultura de envio de felicitações via cartões postais.

(Grande parte destes cartões contêm uns números que concorrem prêmios que são divulgados no segundo domingo de janeiro. E o ganhador tem seis meses para requerer o prêmio nas agências do Correio japonês.)

Mesmo com o frear da economia, o número de cartões enviados, no ano passado ultrapassou a casa do 3,7 bilhões de cartões. Este ano foram impressos 3,9 bilhões de cartões.

Deveria ser escrito em próprio punho e felicitar o novo ano num canto poético celebrando a natureza. No caótico Japão atual, tem sido na impressora mesmo, com os mesmo dizeres na língua nacional: ”Happy New Year” até. Mesmo devidamente escrito em japonês, e em série, contêm pouco sentimento.

É assim!



歳暮    せいぼ    セイボ
Seibo
(Quando for pronunciado dedicando-o ao próximo deve-se acrescentar a letra o: oseibo)
Oferecimento, presente…

Nas mudanças das estações os japoneses trocam oferendas entre si. São caixas muito requintadas, com invólucro que torna-se mais cara que produto. O do final de ano, também chamado de oferenda de Inverno, chamam-se seibo enquanto está nas suas mãos a que você comprou. Ao entregá-lo chama-se-irá oseibo. Osseibo. O que você ganhar também se chamará oseibo. (Para complicar mais a língua japonesa.)

E as lojas de departamentos reservam andares completos com amostras de todo o tipo de presentes. De cafés solúveis à carne fresca, de utensílios para a cozinha aos produtos de limpeza.

Perguntei a um japonês ainda quando eu era ingênuo e eles eram muito sinceros comigo:
- Afinal, para quem que vocês enviam estas oferendas???
Me respondeu com aquele pragmatismo japonês:
- Bem, enviamos para aqueles que nos prestaram favores durante o ano.
Pensou um pouco e com um sorriso incontido e transbordante completou:
- Mas, o mais importante: enviamos também para aqueles que queremos que nos prestem favores no próximo ano.



鼠   ねずみ   ネズミ
Nezumi
Rato

O ano de 2008 no calendário chinês corresponde ao ano do rato.

Maus presságios, o mundo financeiro precisando esconder os prejuízos dos papéis podres do subprime, os analistas econômicos japoneses em quem acredito dizendo que o ano vai ser ruim, a líder Benazir Bhutto fazendo o seu papel em prol dos Estados Unidos, queira que no próximo ano algum país não invente de querer conhecer o Paquistão. Olha, de ratos estamos cheios!

Mas todo ano que começa assim tem tudo para ser bom. Pior não pode ficar.

Tenho repetido a ladainha fazem anos… Mas…

Uma ótima passagem de ano a todos que passarem por aqui.

Felicidade e ambiente, nós que as fazemos! Feliz 2008!

Ah, revista Veja…

Darcy Suzuki | Atualidades, Imprensinha, Contra-informação | Sábado, 29 de Dezembro de 2007

Eu praticamente aprendi a ler e a gostar do mundo lendo a revista Veja.

O semanário com a sua qualidade gráfica, com a sua informação abrangente, tentando sempre mostrar o Brasil que progride, que avança e que acontece, sempre foi um orgulho para mim.

Sempre mostrei a revista aos japoneses para apreciarem as fotos, nem que sejam, mas eles não gostam de tudo que é volumoso.

Sabiamente, desconfiam das partes brancas, muitas; das cores vivas e fortes; do peso do papel, espesso; do excesso publicitário, e, da defasagem de revista de qualidade num país pobre; qualidade material que não existe nem aqui nem nos Estados Unidos. Há, segundo a visão japonesa, algo de unbalance no ar…

A projeto e a concepção da Veja (tiradas as desqualidades acima citadas) foi realizada em 1968, e graças, ao excepcional jornalista italiano Mino Carta que agora dirige a revista Carta Capital. Depois de criar o Jornal da Tarde, Quatro Rodas, na Abril; e a Istoé da Editora Três.

Mas a revista Veja me decepciona nestes últimos anos.

Ela ainda continua uma revista muito atraente e deliciosa de se ler, mas peca tentando impor além da sua linha editorial, uma linha política, nas informações.

Para exemplificar sinta, (não saiba), sinta, as informações expressas neste podcast da Veja:


Outro excepcional jornalista, Luís Nassif nos desvenda um dos porquês desta decaída:

O JORNALISMO DA VEJA

Da Veja desta semana

Em maio de 2006, VEJA revelou que o banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity, tinha em mãos uma lista com contas bancárias supostamente mantidas no exterior por figurões da República. Encomendada por Dantas ao americano Frank Holder, ex-espião da agência de investigações Kroll, ela seria uma evidência do enriquecimento ilícito das autoridades nela mencionadas – inclusive o próprio presidente Lula. A reportagem de VEJA teve acesso à lista, sob a condição de que o nome de Dantas não fosse divulgado. Uma perícia contratada pela revista revelou, no entanto, diversas inconsistências no material, que tornaram impossível comprovar cabalmente a inexistência das contas sem ao mesmo tempo desmentir sua existência. Diante de sinais de que Dantas usava a lista como elemento de chantagem em uma disputa empresarial com fundos de pensão de estatais, VEJA revelou sua existência e apontou o banqueiro como seu autor – fato, claro, negado por Dantas. Além disso, a revista enviou, na ocasião, toda a papelada que reuniu sobre as supostas contas ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, que, efetivamente, investigou o caso.

Comentário de Luis Nassif:

Repito o que escrevi durante a semana. O contato de Veja com Daniel Dantas era e é o diretor de redação Eurípedes Alcântara.

Durante dois anos pelo menos há inúmeras evidências de que Veja foi instrumento ativo nas disputas empresariais e jurídicas do empresário. E continua nesse jogo, apesar de manobras de despiste, como essa matéria – só agora publicada, depois do fato ter ocorrido e do Blog ter chamado a atenção para as ligações entre Eurípedes e Dantas.

A estratégia do do diretor de redação consiste em atacar Dantas em questões acessórias, para melhor poder apoiá-lo em temas essenciais, como a repercussão que deu a esse caso da intérprete. Depois, cercar-se de guarda-costas que atuam como fogo de barreira, para desviar o foco dele. No caso do falso dossiê, foi obrigada a revelar a fonte, porque, depois de apurada a falsificação, não havia como fugir ao tema. Mas o fez da forma mais dúbia possível.

Justamente a perda do critério jornalístico foi que transformou Veja em território livre, manobrado por Eurípedes e Mário Sabino. É como a empresa que passa a usar caixa 2 e acaba perdendo o controle sobre os atos de seus executivos, por ter aberto mão dos instrumentos formais de controle.

Quando se seguem critérios jornalísticos, basta alguma reportagem fugir do critério para acender a luz amarela. Com a perda do referencial, perdeu-se igualmente o controle e conferiu-se aos diretores o direito de matar – burlando inclusive os controles internos.

É importante que a Abril perceba esse jogo, porque o que está em questão é a própria imagem da editora. É simples pegar o fio da meada. É só juntar as matérias sobre o tema publicadas nesse período.

Repito, tudo isso foi feito em contato direto de Dantas com Eurípedes. Mas como é período natalino, vamos deixar passar as Festas para aprofundar o tema.

Ao que responde o diretor de redação da Veja, Eurípedes Alcântara:

O estilo Eurípedes por Luis Nassif:

É questão de tempo para que apareçam as ligações do diretor de redação da Veja Eurípedes Alcântara e o publicitário Eduardo Fischer. E também com o banqueiro Daniel Dantas. A ficha de Roberto Civita só irá cair quando Eurípedes requerer a aposentadoria e seus novos planos ficarem claros.

Até lá, Eurípedes julga que poderá intimidar com ataques encomendados a pistoleiros ou mesmo com ataques agressivos neste Blog.

Para entender o seu perfil, sugiro lerem os comentários no post “O Código da Abril”. Seu comentário está assinado. Os demais ataques, em outros blogs, são terceirizados. Ambos só comprovam o desespero.

Enviado por: Euripedes Alcantara
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turco ladrao, cara de rato, roubou o proprio cunhado e
tenta arrastar as pessoas honestas para sua vala de
bestas. cuidado comigo, turco ladrao, mascate, cara
de rato..tu nao me conheces cuidado…f**** da p****,
ladrtao de cunhado. influencia sobre mim ninguem tem…
seu rato. cuidado. conheco sua fuca. vou jogar uma taca de vinho( do bom) na sua cara….rato,mascate, ladrao, f*** da p ***,
ladrao de cunhado…!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!ladrao de cunhado !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
09/12/2007 22:11

Leia mais sobre esta novela no blog Luis Nassif On Line

As Vejas que eu guardava aqui no Japão, o serviço de reciclagem levou. Mas o que eu faço com aquelas pilhas de Veja que tenho no Brasil, que segundo Marcelo Tas acertadamente diz: Nem pra pegar fogo serve!?!?!?

Em sintonia com o movimento da sustentabilidade a revista Veja deveria se tornar só virtual, para economizar papel e celulose. O planeta agradeceria.

O Natal no Japão!

Darcy Suzuki | Adendos, Pré - Curso de Japonês | Domingo, 23 de Dezembro de 2007

O Natal no Japão é puramente comercial e juvenil.

Época das vendas que superam um terço do faturamento anual do comércio e época de reafirmar a paixão entre casais em noite especial à véspera natalina. Uma lenda almejada por todo adolescente japonês, de passar a noite do dia 24 ao lado de alguém que não seja da família e do sexo oposto.

Casados e, os já não mais teen, devem se contentar com um bolo de aniversário, qual o brasileiro, mas econômico no açúcar e na gordura; sem gosto, bastante light; porque na véspera, no dia e depois do Natal aqui se trabalha qui nem camelo. Ou camelô.

Feliz Natal a todos e fiquem com este clássico do Natal japonês já há mais de 20 anos.

Foi gravado em 1983 pela primeira vez e tornou-se um hit através de uma propaganda comercial  de uma companhia de trens. A JR Tokaido, em 1986.

O excepcional músico Tatsuro Yamashita é o autor desta balada.

A tradução é minha!


クリスマス・イブ
Christmas Eve
Noite de Natal

作詞・作曲  山下達郎
Sakushi ・Sakkyoku : Yamashita Tatsuro
Letra e Música: Tatsuro Yamashita

雨は夜更け過ぎに
Ame wa yofuke sugi ni
A chuva ao final da noite

雪へと変わるだろう
Yuki e to kawaru darou
se transformará em neve…

Silent night, Holy night
Noite silenciosa, sagrada noite.

きっと君は来ない
Kitto kimi wa konai
E provavelmente você não virá,

ひときりのクリスマス・イブ
Hitori kiri no Christmas Eve
Na solitária noite de Natal.

Silent night ,Holy night
Noite silenciosa, sagrada noite.

心深く 秘めた想い
Kokoro fukaku himeta omoi
Meu sentimento segredado no fundo do coração,

叶えられそうもない
Kanaeraresou mo nai
Nem parece concretizar-se.

必ず今夜なら
Kanarazu konya nara
Nesta noite em que certamente

言えそうな気がした
Iesouna ki ga shita
Eu conseguiriria te expressar.

Silent night ,Holy night
Noite silenciosa, sagrada noite.

まだ消え残る 君への想い
Mada kie nokoru kimi e no omoi
O meu pensamento que ainda não se apagou

夜へと降り続く
Yoru e to furi tsuzuku
Continuará a respingar na noite.

街角にはクリスマス・ツリー
Machikado ni wa Christmas tree
Na esquina, uma árvore de natal,

銀色のきらめき
Gin iro no kirameki
Insistentes, os brilhos prateados.

Silent night ,Holy night
Noite silenciosa, sagrada noite.

Sobre um sábado impertinente…

Darcy Suzuki | Recordar é viver, Atualidades | Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007

Foi há uns 15 anos atrás, num sábado contemplado com um sol forte e vento gelado do inverno japonês, quando eu vivia no interior da região de Kanto, lado centro leste do Japão, acima de Tóquio.

Acordei e já havia programado algo. Hoje não me lembro ao certo o que faria naquele dia.

Chamei um táxi, porque até a estação de trem era uma caminhada e tanto. Aproximadamente meia hora de bicicleta.

Ainda não compreendia bem a língua. Entendia o que me diziam, mas não era capaz de desenvolver um diálogo. Falava os clichês de manuais de conversação.

O taxista chegou ao ponto marcado e não era a primeira vez que eu o via. Já havia utilizado seus serviços.

Entrei no táxi e lhe disse o nome da estação de trem.

Calado, “baixou a bandeira” (aqui é eletrônico) e apressou rumo a um trajeto estimado de uns 10 minutos…

Me lembro bem do taxista porque ele se parecia um pouco com o meu pai. Obeso e enorme que ao volante o táxi parecia um carro de brinquedo.

De repente, aquilo que eu temia naquelas ocasiões:

- Hoje não tem trabalho??? perguntou-me.

Eu não me lembro bem a conversa que se seguiu, mas numa certa altura da entrevista diálogo-monólogo, ele veio com aquele clichê japonês:

- Está gostando do Japão??? perguntou-me.

Mandei ver outro clichê:

- Estou. As ruas limpas, o povo atencioso, sem violência…

Ao que ele, cansando-se dos clichês antes que eu:

- Pois eu não gosto de japoneses! - me disse num mesmo tom, natural e calmo como estava o dia.

Não nos pronunciamos mais nada até chegarmos ao destino.

Eu acredito que eu fiquei pensativo não em relação a resposta dele. Porque naquela época eu não tinha nenhum elemento, nenhuma coordenada para aprofundar-me naquela afirmação. Acredito até que naquela época era só eu e meu umbigo. Era qual narciso e ainda enxergava só a mim. Estaria talvez me condenando em tentar ajustar a conversa com o taxista. Estaria dizendo para mim mesmo:

-Tá vendo sua besta, fica querendo agradar… Perdendo a personalidade…

Mas foi passando o tempo e eu fui conhecendo o país e o seu povo. A diversidade, a dinâmica e a profundidade do povo e da cultura japonesa não é possível de ser visto apenas por uma ótica. A historicidade de uma cultura milenar como a japonesa é indefinível em parcas linhas.

Diferentemente do Brasil, onde nem há uma definição de identidade cultural plausível devido a nossa constituição enquanto povo; muito recente e em andamento; culturas como a japonesa atingiram uma certa homogeneidade, se perderam nelas, viveram atrasos, retrocessos, avanços, que, acredito não é questão de mérito ou acertos. É uma questão real, circunstancial, podendo até, ser uma fatalidade.

Mas, descobri no decorrer do tempo, que há outras tantas e tantas pessoas que não gostam de japoneses. Mesmo sendo japoneses. (Assim como há brasileiros que não gostam de brasileiros.)

O que eu gostaria de deixar registrado aqui é a existência de vários grupos, reuniões, comunidades, párias, pessoas, que são detestadas e estão a detestar o país. Não desejo tomar a função de ficar enumerando e apontando estes grupos, que o conhecimento nestes termos de, saber para detestar, é vilania e é totalmente improdutivo. (Também por isso não mencionei a província do ocorrido porque só por isto já se torna “detectável” o individuo ou o grupo.)

Acredito que o Japão tem mais elementos para sabermos, conhecermos, com o fim de nos tornarmos mais produtivos.

Me lembrei daquele sábado e me dou conta só agora, que aquela nossa conversa foi a primeira linha de novelo deste emaranhado que é este país.

Na minha próxima viagem para aquela região penso em procurar aquele indivíduo.

Para aquecer um domingo frio!!!

Darcy Suzuki | Atualidades | Domingo, 16 de Dezembro de 2007

Diana Krall, São Paulo, Brasil… Quem é aqui…


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