Palavras, bravatas & gravatas.

Darcy Suzuki | Atualidades, Contra-informação | Quinta-feira, 29 de Novembro de 2007

Tenho evitado de registrar aqui o noticiário do cotidiano japonês, daqueles fatos consequenciais de uma economia em queda livre.

Os jornais daqui estampam diariamente crimes de todos os níveis, mas o conteúdo é sempre raso, banal e me perdoem o desatino, suburbano. De brasileiros que assaltam lojas de conveniência, japoneses que matam por estresse, hoje mesmo, em Kyoto, um jovem que atropela um cidadão e o arrasta por 400 metros, matando-o, é lógico. Tudo qui nem em Belfort Roxo ou em Toa Baja.

Acontece porém que nesta semana ocorreu um inusitado e típico desvario coletivo da sociedade japonesa.

Gostaria de anotar antes, para o brasileiro desavisado, que guardadas as proporções, o respeito e o tratamento dado pela imprensa e orgãos de comunicação japonês ao cidadão local não se equipara em nada ao desserviço que presta a imprensa no Brasil aos brasileiros.

Cidade de Sakaide, Província de Kagawa, final da tarde do dia 15, quinta-feira.
As irmãs Akane e Ayana visitam a avó que mora próximo da sua casa para passar a noite como em muitas outras ocasiões.

Manhã do dia 16, sexta-feira.
A mãe de Akane e Ayana vai buscar as filhas para irem à escola e não encontram ninguém na casa da avó. Casa esta, que está toda desarrumada e com rastros e manchas de sangue.

Restou o mistério que se estenderia por uma semana, até a segunda-feira dia 26.

Neste interim, respondia à imprensa, o pai das meninas. Cidadão simples, de pouco vocabulário, e este pouco, regional. Se regional, direto, reto e rude. Rude à terceiros, porque a palavra quando regional não necessita subterfúgios e cálculos assimétricos. Porque quando regional conversamos com o igual, sem esconder nada.

Gordo, cabelos raspados e barba por fazer, ele relembrava aos jornalistas sedentos de gafes, que às 2 da madrugada ele avistou pela janela da sua casa a bicicleta da mãe estacionada. Bicicleta esta que sumira junto com toda a família. Ora, ora. Quem olha pela janela as duas manhãs seja o que for?

Poucas palavras, barba desleixada, figura desolada e olhando pela janela às 2 da manhã. Bravatas…

Foi o que entendeu 9 entre 10 japoneses. E a imprensa forçando perguntas mal-educadas ao que o gordo não se conteve:

- Vocês querem insinuar que eu tenho envolvimento com o desaparecimento da minhas filhas e da avó delas??? - teve que se desvencilhar das infâmias.

Mas o maior perigo dos japoneses é este quesito. Por longa data, todos eles, absolutamente todos, cresceram portando seus chapeuzinhos amarelos do uniforme escolar, viram a mesma coisa, leram, estudaram, concluíram, souberam e se sensibilizaram nas mesmas páginas do material escolar. Uniformemente. Pensam iguais, agem iguais. Se mérito desta sociedade é outro assunto. Mas…

Ao final do dia 26, a polícia japonesa prende um suspeito que confessa o crime e o caso parte para o desvendamento. Tratava-se de um cunhado da vítima e as causas estão sendo averiguadas mas de antemão eu lhes confirmo, são suburbanas.

Amanhece o dia 27 e a imprensa rapidamente reedita todo material em que aparecia o desastroso e rude gordo. Agora a TV mostra um sujeito másculo, sensível e extremamente forte e grandioso.

Eu aconselho aos meus leitores a se dirigirem a uma loja de ¥100 ienes e comprarem uma gravata. Quando dos holofotes deste nosso mundo, vizinhos, parentes ou seja lá quem for, adentrar em suas casas, façam a barba, mulheres às maquiagens, coloquem a gravata, mulheres, um ternozinho; cuidado com o que diz e paciência. Seja você vítima ou algoz, que aqui a aparência é primordial.

Saudades de Miki Imai (今井美樹)

Darcy Suzuki | Recordar é viver, Pré - Curso de Japonês | Sábado, 24 de Novembro de 2007


Miki Imai (今井美樹 いまい・みき イマイ・ミキ)é uma graciosa cantora japonesa, agora casada com o músíco e produtor Hotei Tomoyasu (布袋寅泰  ほてい・ともやす  ホテイ・トモヤス). O mesmo que escreveu e musicou esta canção.

PRIDE プライド
Puraido

Orgulho
By: Miki Imai (今井美樹)
Letra: Hotei Tomoyasu (布袋寅泰)

私は今南のひとつ星を見上げて誓った
Watashi wa ima minami no hitotsuboshi wo miagete chikatta
Eu agora jurei fitando uma estrela solitária ao sul.

どんな時も微笑みを絶やさずに歩いて行こうと
Donna toki mo hohoemi wo tayasazu ni aruite ikou to
Que em todo momento vou andar sem apagar o meu sorriso.

貴方を想うと ただせつなくて 涙を流しては
Anata wo omou to tada setsunakute namida wo nagashite wa
Ao pensar em você sem saber desvencilhar-me escorrem as lágrimas.

星に願いを月に祈りを 挙げるためだけにいきていた
Hoshi ni negai wo tsuki ni wa inori wo sassageru tame dake ni ikiteita
Vivi apenas fazendo pedindo às estrelas, orando à lua.

だけど今は 貴方への愛こそが私のプライド
Dakedo ima wa anata e no ai koso ga watashi no puraido
Mas agora, é este meu amor por você que é o motivo do meu orgulho.

やさしさとは 許しあうことを知る最後の真実
Yasashisa to wa yurushiau koto wo shiru saigo no shinjitsu
A verdadeira gentileza é o fato de saber perdoar ao fim.

わがままさえ 愛しく思えたら本当に幸せ
Wagamama sae aishiku omoetara honto ni shiawase
Se atos egoístas puderem ser lembradas amorosamente estarei realmente feliz.

貴方は私の 自由と孤独を 教えてくれた人
Anata wa watashi no jiyu to kodoku wo oshiete kureta hito
Você foi a pessoa que me ensinou a liberdade e a solidão.

夜が来るたびに無口になって 震える肩を抱きてしめていた
Yoru ga kuru tabi ni mukuchini natte furueru kata wo dakishimete ita
Todas as vezes que chegava a noite, calado, você abraçou meu corpo.

だけど今は 貴方への愛こそが私のプライド
Dakedo ima wa anata e no ai koso ga watashi no puraido
Mas agora, é este meu amor por você que é o motivo do meu orgulho.

いつか私も空を飛べるはず ずっと信じていた
Itsuka watashi mo sora wo toberu hazu zutto shinjite ita
Eu sempre acreditei que algum dia também conseguiria sobrevoar o céu.

翼があったら飛んでゆくのに 貴方の胸に 今すぐにも
Tsubasa ga attara tonde yuku noni anata no mune ni ima sugu ni mo
Tivesse asas e voaria agora mesmo ao encontro do teu peito.

見上げてみて 南の一つ星を素敵な空でしょう
Miagete mite minami no hitotsuboshi wo sutekina sora deshou
Veja acima ao sul uma estrela solitária; não é maravilhosa?

私は今 貴方へも愛だけに笑って泣いてる
Watashi wa ima anata e no ai dake ni waratte naiteru
Eu, agora, somente ao meu amor por você, estou a sorrir e a chorar…

As palavras chaves no Japão hoje!!!

Darcy Suzuki | Na sintonia do momento | Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007

高齢化社会   こうれいかしゃかい   コウレイカシャカイ
Koureika Shakai
Envelhecimento da Sociedade

Desde que citado nos anais da ONU (Organização das Nações Unidas) em 1956, esta palavra consta nos noticiários dos países tradicionalmente mais antigos. Considerando o idoso, o cidadão que passou dos 65 anos, nomeia-se que a sociedade está:

EM FASE DE ENVELHECIMENTO

Quando os idosos representam de 7 a 14% da população;
ENVELHECIDA
Quando os idosos representam de 14 a 21% da população, e,
ALTAMENTE ENVELHECIDA
Quando acima dos 21%.

O Japão entrou na fase do envelhecimento em 1970, tornou-se uma sociedade envelhecida em 1994 e altamente envelhecida neste ano (2007), conforme o estabelecido acima. (20.8% em 2006)

O Brasil que já foi um país jovem hoje conta com uma população idosa beirando 14 milhões de pessoas. 8% da população.





少子化    しょうしか   ショウシカ
Shoushika
* Baixa Fecundidade

*Este é um termo que estou traduzindo porque não existe nome a esta decorrência.

Fosse somente a questão do envelhecimento da sociedade não seria alarmante a situação. Além do envelhecimento de algumas sociedades ocorre por várias razões a baixa fertilidade/fecundidade/nascimentos em alguns países mais, em outros países menos.

Utiliza-se neste caso uma funesta e politicamente incorreta forma de assimilar a real situação. Ora, simplifica-se a quantidade de mulheres dividido pelas vidas geradas numa dada sociedade. Filhos por mulher.(Daí, se condena um titular do Ministério de Saúde por ele deixar escapar a nuance de tratar a mulher como uma máquina de produzir crianças. Pudera!)

Mas infelizmente, é a forma utilizada no mundo.

E no Japão as mulheres produzem conforme a última estatística de 2005, 1,26
A Coréia do Sul, 1,08
O Brasil, 1,87 (Na média, né. Como sabemos, alta nas classes menos favorecidas e baixa nas abastadas.)
Mas os Estados Unidos 2,09
E a França, 2,00

Vamos trabaiá mulherada!!! (ˆ_ˆ;





出生率   しゅっしょうりつ    シュッショウリツ
Shusshouritsu (Lê-se Xúxôuritzu)
Taxa de Natalidade

Nascimento a cada 1000 habitantes ao ano. Clique para ver maior.

natalidade.PNG






死亡率   しぼうりつ    シボウリツ
Shibouritsu
Taxa de Mortalidade

Mortalidade a cada 1000 habitantes ao ano. Clique para ver maior.

mortalidade.PNG

Madonna no Japão em 2005!

Darcy Suzuki | Recordar é viver | Quinta-feira, 15 de Novembro de 2007

Nascida Madonna Louise Veronica Ciccone Ritchie em 16 de Agosto de 1958 no estado de Michigan nos Estados Unidos.

A mais premiada e a mais influente cantora do show business mundial tornou-se uma ícone cultural. Prescindível mas indiscutivelmente pop.

Esteve no Japão nos anos de 1987, 1990, 1993, 2005 e 2006 em turnês musicais.


A imprensa inepta e globalizada.

Darcy Suzuki | Atualidades, Contra-informação | Domingo, 11 de Novembro de 2007

Após o falecimento de um jornalista japonês independente que cobria as mudanças que estão ocorrendo em Myanmar (ou Birmânia), caso este ainda não esclarecido, a imprensa japonesa está sendo forçada a pautar matérias sobre o que fazem estes japoneses em missão da sua consciência e que desobedecem os pedidos de orgãos do Governo, se dirigindo aos extremos em conflito.

Inevitáveis são as declarações e reportagens que de mansinho, e sem muito alarde, vem esclarecendo as concretas cifras sobre a degradante contribuição japonesa na guerra do Iraque. Além dos 800 homens em terra enviado e salvaguardados, ora pelo exército holandês, ora pelos ingleses; 600 homens no mar trabalhando de frentistas e doando combustíveis aos navios, registrados em mililítros sempre abaixo para não assustar a opinião pública. Atitude esta, até celebrada em solenidade e citada em documentos americanos agradecendo o extremo esforço japonês para a manutenção desta famigerada guerra e que fora prontamente rebatida. “Não há o que agradecer. Apaguem a nossa contribuição!”: É o sentimento daqueles que apoiaram aquele desajuste. Para não dizer, cagada. Revelam também que as contribuições japonesas ultrapassam os ¥200 milhões de ienes. (Cerca de US$ 1,7 bilhão de dólares.)

No Japão ainda não há nenhum orgão da imprensa que queira, ou tenha peito, para pautar a real situação do Iraque. Entram no país via o Afeganistão mostrando que as mulheres do pós-talibã já não precisam usar a burka e que a multidão no centro da cidade de Cabul é o fervilhar da reconstrução do país, quando nada mais é, do que um tumulto de uma guerra que ainda não terminou.

Num outro documentário as cenas acompanham um japonês profissional protético de pernas amputadas que doa toda sua hora de descanso para trabalhar em prol de algum dos 7% da população afegã que não tem pés, mãos, ou os quatro, perdidas na guerra e no estouro de minas terrestres. Pasmem, a população do Afeganistão é de aproximadamente 28 milhões de habitantes! Calculadora?

Pior do que o barbarismo desta nossa época é esta imprensa inepta e inoperante que pauta a sustentabilidade do nosso ecossistema e esquece a sustentabilidade dos Homens.

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