O Japão traduzido pelo som!

Darcy Suzuki | Atualidades | Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007

Merry Christmas Mr. Lawrence - Ryuichi Sakamoto
Ao Vivo no Irodion Theater na Grécia


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O Japão em tempos de “banguela”.

Darcy Suzuki | Atualidades | Sábado, 20 de Outubro de 2007

Quem for saber sobre o Japão via noticiários locais vai se surpreender com a situação de deriva em que encontra o país. São tantos acontecimentos, tornados grandes, mas pequenos em sua essência, que pipocam fazendo crer que o país está sem piloto. E está!

São noticías tão corriqueiras como as balas perdidas no Rio:

Furou o pneu do país e colocaram um estepe. Premier Yasuo Fukuda. Ele que já havia tentado por duas vezes subir ao trono sem sucesso já havia se convencido que posto alto já não mais; eis que toca o telefone.
- Eu??? - atendendo apressadamente. Não brinca com isto. Você fere os meus sentimentos! Olha, vou te demitir, hein?!?!?
- Professor!!! Mas estão pedindo pela sua candidatura porque o outro tentou um golpe. - respondeu seu secretário.
Japoneses detestam golpes. Qualquer um serve. Menos golpista.
E o escolheram. Até terminarem as eleições americanas. Depois conversaremos.

Sem esposa e quatro filhos pra criar, uma certa pessoa, fez um achado. Time de futebol, nem de salão dá. Tênis não entendo lhufas. Então, porque não boxe???
E colocou os três filhos meninos a lutar.
Em vez de federar os meninos resolveu uma subida mais rápida. Ora, fundou uma liga.
No Japão, das rígidas leis, dos indivíduos retos e dos ideais nobres, foras-da-lei, indivíduos tortos e ideais tortos também, se tornam valiosos rapidamente. País capitalista, oferta e procura, a mais-valia.
Junta-se a isto, o capital marginal, investidores ávidos por dividendos, grupos econômicos tolerados pela economia regular.
Como que, para jogar gasolina no fogo, um destes representantes detêm o controle de uma rede de televisão de canal aberto. A rede TBS.
Pronto.
Havia-se reunido todos os ingredientes para a merda que se seguiria.
Inventou-se lutas com galinhas mortas e a liga de três em pouco tempo já celebrava até cinturão de campeão e com respaldo popular.
Na mesma categoria há três ligas neste país, copiando até nisto os Estados Unidos.
Eis que a população japonesa bem informada, e lerda, começou a significar os dados. Principalmente os que gostam de esporte. Respondendo e reclamando a todos os orgãos possíveis sobre a cilada que significava tudo aquilo.
Na última luta, na semana passada, o campeão da liga de cá lutou com a de lá. Não sei que liga menos presta, mas nos intervalos, de uma luta praticamente perdida, o pai técnico exclama:
-Pode bater no saco (sic) de vez em quando!!!
O primogênito diz:
-Fura o olho dele com o polegar, mano!!!
O comentarista:
- Ainda tem tempo pra virada!!!
Os comerciais:
- Pachinko. Uma aventura nova para a sua diversão.
- Seu problema é dinheiro. Procure a nossa financiadora.
- Construções de requinte. Nós administramos a sua felicidade.
Agora, o pai técnico está impedido de exercer a função, o filho que agia entre os corners suspenso por três meses, e o outro que pedia as córneas, suspenso por um ano.
O resto continua na luta. A TV pela audiência, o pachinko pela lavagem do dinheiro, as financiadoras pelos juros da lavagem e as contrutoras pelas empreitadas sem licitações.
Como nas subidas às favelas, só pegam os pequenos.
É a lei do crime globalizado.

Quando o nobre leitor entrar num supermercado japonês saiba que cerca de 75 a 80% dos produtos alimentícios japoneses são importados.
Grande parte dos poucos produtos nacionais é representado pela produção de arroz.
A cultura do arroz é uma atividade subsidiada pelo governo japonês que compra o produto do produtor por um preço turbinado mas que mesmo assim, tem diminuído ano a ano.
Além disto, o governo limita a quantidade de importação permitida no país.
A produção anual japonesa gira em torno de 10 a 12 milhões de toneladas e é permitido a importação de menos de uma tonelada apenas.
Este protecionismo é exercida em nome de uma “atividade milenar” mas o mais correto seria uma contingência histórica da trasmissão do poder do Japão medieval com base na agricultura para o Japão desenvolvido e industrial da atualidade.
Com a desmedida mudança de comportamento e hábitos alimentares japoneses o consumo de arroz tem diminuído ano após ano, o que vem a piorar a situação para os defensores do cultivo do arroz japonês.
Além de custear os subsídios do arroz, a população japonesa em sua grande maioria defende a continuidade do cultivo. Muito embora, porque desinformada sobre a real situação do mundo e da própria situação japonesa.
Agora a noite, a NHK promoveu um debate sobre o assunto elucidando os fatos.
O mesmo arroz produzido no Japão custa ¥500 ienes (Cerca de US$4,30) o quilo, sendo que o americano custa ¥300 ienes (US$2,60), e o arroz chinês por apenas ¥60 ienes (US$0,52) o quilo.
Bem, só o fato da NHK abordar o assunto é sinal que querem mudar esta história.

É outono no Japão!

Darcy Suzuki | Recordar é viver, Atualidades | Segunda-feira, 15 de Outubro de 2007

É praticamente impossível ficar alheio às estações climáticas no Japão, porque o tempo aqui tem características bastantes marcantes. Mês a mês mudam as cores das vegetações, o horário do pôr do sol, os insetos que circulam pelas penumbras. Com uma ligeira defasagem, este ano o verão custou a se render. O que quer dizer, segundo a repórter do tempo, que o inverno posterior a um calor “saliente”, como dizem no Nordeste do Brasil, costuma ser brabo!

Eu que vivi boa parte do tempo em São Paulo, por exemplo, não associava o tempo às minhas recordações. Não me esqueço porém, que quando cheguei ao Japão era um agosto fervoroso. Para mim ninguém havia me dito que o verão japonês costuma ser tão rígido. Trazemos a imagem do Monte Fuji coberto de neve e o trem-bala cortando o horizonte, sei lá de onde, na memória. (Alguém lembra do Monte Fuji seco e peladinho, sem aquela manta branca???) Jamais imaginaríamos que o calor por esta banda poderia registrar 40,9℃ em Tóquio como no dia 16 de agosto deste ano. Aliás, agosto, se no Brasil é mês de cachorro louco, aqui é um mês prova para a gente não enlouquecer.

Em suma, desde que pisei nestas terras a minhas lembranças se associam às condições do clima da época. Me lembro perfeitamente o tempo de quando foram acontecendo as coisas. Tóquio eu conheci num dia chuvoso pouco antes do inverno. Osaka eu fui pela primeira vez num sábado calorento. Foi num dia primaveril que conheci Quioto. Foi numa noite estrelada do verão que me despedi de Kioko.

Enfim, no Japão ficamos mais sensíveis ao tempo quase que forçadamente. Além do álbum de recordações nos lembrar que pelo capote que trajamos aquilo não poderia ter acontecido de março a outubro, da primavera ao verão, o frio que sentimos fica gravado na memória dos ossos, da pele, do corpo; a rajada daquele vento cortante que torna mais frio o frio que sentimos, quando estamos tão longe da nossa terra natal.

Mas numa breve e humilde tese particular, eu acredito que o segredo da longevidade dos japoneses são estes extremos do clima a que o nosso corpo é exposto estando aqui neste país. O corpo cria as condições de passar ano a ano mais fortalecidos e precavidos às mudanças dos tempos.

Dólar abaixo dos R$1,80, o presidente peão e analfabeto Lula mostrando resultados positivos no Brasil, o empresário e PSDBista António Ermírio de Moraes o elogiando, os Estados Unidos caminhando para o ralo e brasileiros despatriados (e despolitizados) se auto-denominando dekasseguis.

O mundo visto do oriente é menos turvo e mais triste!

Mas não há motivos para enlouquecer não!!!

Até pra viver mais, que venha o frio!!!

As palavras chaves no Japão hoje!!!

Darcy Suzuki | Na sintonia do momento | Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007

Na verdade, esta postagem é retroativa. Eu deveria tê-la escrito antes da postagem anterior.

Mas vamos explicando…

出張     しゅっちょう     シュッチョウ
SHUCCHOU (lé-se Shú-tyou)
Estada à negócios

Trata-se de uma estranha atividade muito comum no Japão das grandes empresas e conglomerados. Creio que o Brasil também caminha para o crescimento de números de pessoas que serão “forçadas” a praticarem tal ato.

Com a crescente demanda da economia japonesa as empresas precisaram se tornar ágeis, flexíveis, competitivas e altamente produtiva. Foram criadas vários postos de trabalho que requerem a mobilidade de um profissional a viajarem, seja para atrair compradores, divulgar produtos, prestar assistência técnica, ou mesmo, assumir postos de confiança, numa região diferente da sua moradia,

São milhares de japoneses que atuam profissionalmente longe de suas famílias a defender “o pão de cada dia” cumprindo as diversas missões que requer este nosso mundo globalizado. Quando muito distante e se o cargo a ocupar for por longo período há os que optam em mudar com toda a família. Mas, atualmente, não há mais longos períodos na vida profissional, fazendo com que as aparições do chefe de família sejam esporádicos.

Criou-se até esta palavra para denominar e justificar porque a mãe não é viúva, o pai não morreu, e, o filho conhece-o apenas pelo telefone.

Uma ponta triste da nossa sociedade.

ばれる    バレル
BARERU
Tornar claro, explanar (verbo)

No Japão dos ninjas, das frases polidas, dos ditos não ditos, das formas de expressão, do cuidado do dizer, este verbo refere-se ao deslize de expor algo, no caso, sempre negativa e maldosamente. Quando se diz que algo “bareru”, nunca é algo bom que “bareru”. (Mas saiba, que isto, hoje, em 2007. É muito comum na língua japonesa os jovens inverterem o sentido das formas de expressão.)

Quando é algo demais percebível, escancarado, se usa a expressão “barebare” que tem até o sonido onomatopéico de algo que se cai quebradiçamente… Bare-bare…

Um frescor jovial no uso das palavras japonesas. Né?!?!?

CM   しー・えむ    シー・エム
SHI-EMU
Comerciais de TV

CM é a abreviação de “commercial message” コマーシャルメッセージ Comaashiaru Messeiji.

No início, quando conheci os comerciais de TV japoneses detestei a forma abreviada de comunicação. Comerciais curtos demais explorando a imagem grandiosa, a qualidade visual e o som detalhadamente escolhido. Gostava dos comerciais brasileiros, aquelas diversões quase novela, aquela ginga, mesmo mal-feita, mal-acabada e ganhadoras de prêmios de criatividade.

Passado o tempo, revejo os comerciais antigos via os iú-tiubis da vida e tenho raiva dos comerciais brasileiros com poucas exceções, devido à mentira embutida e nada culturalmente aproveitada contida naqueles comerciais. Ao contrário, os comerciais japoneses mantêm uma linha de comerciais que além de contarem a história produzem com classe, uma parte de um documentário social de um povo. Acho o máximo, comerciais como este abaixo.

Pena que seja um comercial de uma porcaria.

Mas peço e confio no meu seleto e grandioso público, a sua inteligência, o discernimento…

A vinda do meu pai.

Darcy Suzuki | Pré - Curso de Japonês | Sábado, 6 de Outubro de 2007


Título do Comercial de TV: “A vinda do meu pai” 『父の上京』(Chichi no joukyou)(lê-se Titi no jyou-kyou)

Dizeres da garota:

(父が突然上京してきました)「急に…何?」
Chichi ga totsuzen joukyou shite kimashita, Kyuu ni nani?
O meu pai repentinamente veio à Tóquio. Assim, de repente o que foi?

Dizeres do pai:

「出張でさ。」
Shuttyou dê sá… (Nota de tradução: Sá é uma expressão idiomática regional.)
À serviço…(Entende???)

Garota:

「仕事?順調、順調!心配無いって」(嘘をつきました)
Shigoto? Junchou, junchou! Shimpai nai tte… (Uso wo tsukimashita.)
O trabalho? Ah, em ordem, em ordem! Sem preocupações… (Acabei mentindo.)

Pai:

「そうか。」
Souka.
Ah, é…

Garota:

(でも、父も嘘をついていた。)
(Demo chichi mo uso wo tsuiteita.)
(Mas o meu pai também mentiu.)

Pai:

「じゃな!」
Jya na!
Então tá…

Garota:

(ほんとは出張なんてなかったくせに)
(Hontou wa shuttyou nante nakatta kuse ni)
(Na verdade ele não veio à serviço…)

Pai:

「バレたか」
Baretaka???
Será que ela percebeu???

Garota:

「バレバレだって。」
Bare bare datte.
Estava na cara.

Narração:

人生、おいしくなってきた。ザ・サントリーオールド
Jinsei. Oishiku natte kita. The Suntory Old.
A vida. Está ficando saborosa. Suntory Old.

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