Quem for saber sobre o Japão via noticiários locais vai se surpreender com a situação de deriva em que encontra o país. São tantos acontecimentos, tornados grandes, mas pequenos em sua essência, que pipocam fazendo crer que o país está sem piloto. E está!
São noticías tão corriqueiras como as balas perdidas no Rio:
Furou o pneu do país e colocaram um estepe. Premier Yasuo Fukuda. Ele que já havia tentado por duas vezes subir ao trono sem sucesso já havia se convencido que posto alto já não mais; eis que toca o telefone.
- Eu??? - atendendo apressadamente. Não brinca com isto. Você fere os meus sentimentos! Olha, vou te demitir, hein?!?!?
- Professor!!! Mas estão pedindo pela sua candidatura porque o outro tentou um golpe. - respondeu seu secretário.
Japoneses detestam golpes. Qualquer um serve. Menos golpista.
E o escolheram. Até terminarem as eleições americanas. Depois conversaremos.
Sem esposa e quatro filhos pra criar, uma certa pessoa, fez um achado. Time de futebol, nem de salão dá. Tênis não entendo lhufas. Então, porque não boxe???
E colocou os três filhos meninos a lutar.
Em vez de federar os meninos resolveu uma subida mais rápida. Ora, fundou uma liga.
No Japão, das rígidas leis, dos indivíduos retos e dos ideais nobres, foras-da-lei, indivíduos tortos e ideais tortos também, se tornam valiosos rapidamente. País capitalista, oferta e procura, a mais-valia.
Junta-se a isto, o capital marginal, investidores ávidos por dividendos, grupos econômicos tolerados pela economia regular.
Como que, para jogar gasolina no fogo, um destes representantes detêm o controle de uma rede de televisão de canal aberto. A rede TBS.
Pronto.
Havia-se reunido todos os ingredientes para a merda que se seguiria.
Inventou-se lutas com galinhas mortas e a liga de três em pouco tempo já celebrava até cinturão de campeão e com respaldo popular.
Na mesma categoria há três ligas neste país, copiando até nisto os Estados Unidos.
Eis que a população japonesa bem informada, e lerda, começou a significar os dados. Principalmente os que gostam de esporte. Respondendo e reclamando a todos os orgãos possíveis sobre a cilada que significava tudo aquilo.
Na última luta, na semana passada, o campeão da liga de cá lutou com a de lá. Não sei que liga menos presta, mas nos intervalos, de uma luta praticamente perdida, o pai técnico exclama:
-Pode bater no saco (sic) de vez em quando!!!
O primogênito diz:
-Fura o olho dele com o polegar, mano!!!
O comentarista:
- Ainda tem tempo pra virada!!!
Os comerciais:
- Pachinko. Uma aventura nova para a sua diversão.
- Seu problema é dinheiro. Procure a nossa financiadora.
- Construções de requinte. Nós administramos a sua felicidade.
Agora, o pai técnico está impedido de exercer a função, o filho que agia entre os corners suspenso por três meses, e o outro que pedia as córneas, suspenso por um ano.
O resto continua na luta. A TV pela audiência, o pachinko pela lavagem do dinheiro, as financiadoras pelos juros da lavagem e as contrutoras pelas empreitadas sem licitações.
Como nas subidas às favelas, só pegam os pequenos.
É a lei do crime globalizado.
Quando o nobre leitor entrar num supermercado japonês saiba que cerca de 75 a 80% dos produtos alimentícios japoneses são importados.
Grande parte dos poucos produtos nacionais é representado pela produção de arroz.
A cultura do arroz é uma atividade subsidiada pelo governo japonês que compra o produto do produtor por um preço turbinado mas que mesmo assim, tem diminuído ano a ano.
Além disto, o governo limita a quantidade de importação permitida no país.
A produção anual japonesa gira em torno de 10 a 12 milhões de toneladas e é permitido a importação de menos de uma tonelada apenas.
Este protecionismo é exercida em nome de uma “atividade milenar” mas o mais correto seria uma contingência histórica da trasmissão do poder do Japão medieval com base na agricultura para o Japão desenvolvido e industrial da atualidade.
Com a desmedida mudança de comportamento e hábitos alimentares japoneses o consumo de arroz tem diminuído ano após ano, o que vem a piorar a situação para os defensores do cultivo do arroz japonês.
Além de custear os subsídios do arroz, a população japonesa em sua grande maioria defende a continuidade do cultivo. Muito embora, porque desinformada sobre a real situação do mundo e da própria situação japonesa.
Agora a noite, a NHK promoveu um debate sobre o assunto elucidando os fatos.
O mesmo arroz produzido no Japão custa ¥500 ienes (Cerca de US$4,30) o quilo, sendo que o americano custa ¥300 ienes (US$2,60), e o arroz chinês por apenas ¥60 ienes (US$0,52) o quilo.
Bem, só o fato da NHK abordar o assunto é sinal que querem mudar esta história.