As palavras chaves no Japão hoje!!!

Darcy Suzuki | Na sintonia do momento | Quinta-feira, 30 de Agosto de 2007

Saiba o que é noticia no Japão hoje!!!


牛乳  ぎゅうにゅう  ギュウニュウ
GUIYU-NYUU
Leite

Êta palavrinha difícil de dizer e fácil de saber.

Mas aqui no Japão é complicado comprar leite devido a grande variedade de opções.

Primeiramente, saiba que no Japão há dois tipos de leites.
- O leite 100% leite. Corresponde aos 5% dos leites das gôndolas do supermercado. Bastante raro.
- E o leite aditivado. Corresponde à maioria dos leites encontrados pelo Japão todo.

Dentre os leites aditivados, encontramos outros dois tipos de leite:
- O leite com a composição não alterada.
- O leite com a composição alterada.

Os leites de composição não alterada são os longa vida, os leite de garrafa (em vidro) ou aqueles que tem o índice de gordura 4.3 (ou mais) gravado na caixinha.

Os leites de composição alterada ou que tenha o índice de gordura abaixo de 3.3 gravado na caixinha, são a grande maioria. Uns aditivados com mais cálcio, outros “fat” com menos gordura (低脂肪牛乳) e os leites com café ou frutas.

Os leites mais baratos são leites liquificados (tradução inventada), ou seja, do pó foram industrializados e se tornaram bebíveis. Estão gravados os ideogramas:

(加工乳 かこうにゅう Kakou-Nyuu LEITE TRANSFORMADO)
ou
(乳飲料 にゅういんりょう  Nyuu-Inryou LEITE “LIQUIFICADO”)

Portanto, para tomar leite, leite mesmo, na caixinha deverá estar escrito 牛乳 GUIYU-NYUU!

Quer dizer, temos muitas opções para escolher o leite, mas qual é o leite mesmo???

Não tome leite por lebre!!!


新発売  しんはつばい  シンハツバイ
SHIN-HATSUBAI
Lançamento

Em todos os lançamentos de produtos é citado esta palavra. Eu acho que o som desta palavra é bastante expressivo, rápido, direto e reto. E diz muita coisa. O ideograma 新 shin significa o novo. O ideograma 初 hatsu significa o início. E o ideograma 売 bai significa o vender.

E para um otaku consumista como eu, esta palavra me atenta toda vez que eu ouço falar, qual o som de salto alto subindo as escadas por onde vem quem eu não vi ainda. (*_*;)


鬱病  うつ病  うつびょう  ウツビョウ
UTSUBYOU
Doença Depressiva (Depressão)

Curiosamente os japoneses encaram a depressão taxativamente como uma doença. No ocidente, a questão é tão ampla que há riscos de definir a tal palavra. Pode ser um distúrbio, um transtorno, um desequilíbrio ou mesmo um caminho estreito à passar na vida.

Mas no Japão as definições são sempre técnicas e aqui não se tem tempo para incertezas. A economia não pode parar e se um funcionário parou de produzir ele recorre a qualquer hospital do país e conta ao clínico geral o seu estado. Não dorme? Sente dores? Sem causas?

Em minutos o paciente é redirigido ao departamento de psiquiatria do hospital (精神科・せいしんか・セイシンカ・Seishinka) pois é só ali que poderá receitar pílulas contra insônia, analgésicos e outras drogas, para sintomas sem causas. Simples, rápido e paliativo.

Ainda não há uma pesquisa ampla e abrangente sobre a depressão entre a população japonesa adulta. Mas o tema a cada dia vem sendo mais discutido, divulgado e ampliado pelos meios de comunicação.

Mas é alarmante os dados aceitos pelos profissionais da área médica sobre a depressão infantil, mais fácil de ser detectada porque a maioria frequenta a escola onde são observados: Até os 12 anos cerca de 0,5 a 2,5% das crianças, dos 12 aos 17 anos cerca de 2 a 8% estão em estado depressivo.

Mas a palavra depressão entra nesta coluna devido ao lutador de sumô Asashouryu (朝青龍) que detêm o título máximo do tradicional esporte japonês. Ele é um yokozuna. (横綱・よこづな) que veio da Mongólia. Acontece que após vencer o último campeonato em julho último alegando dores na coluna e nos braços conseguiu um atestado médico e foi para um tratamento em sua terra Natal. Eis que youtubiram ele jogando futebol.

No Japão foi um escândalo, principalmente nas rodas da tradicional Associação de Sumô. Como pode um atrevimento deste? O forçaram a retornar ao país, deram-lhe uma multa, impuseram sanções de divertimentos & escapadelas e o impediram de participar dos próximos dois torneios. Abatido alegou que agora, estava deprimido. E depressão tornou-se a palavra da semana pelo Japão.

Mas eu desconfio que os sisudos coronéis do sumô não ficaram enfurecidos pela “malandragem” do discípulo não. Ele não gostaram é que ele parecia mais feliz jogando futebol.

Eu vi a cena e atesto que ele “bate um bolão” e cabeceia com uma técnica de quem pratica comumente. Pairando no ar, entorta o corpinho, repuxa a cabeça pra trás, escolhe o canto e impulsiona a cabecinha com um toque que lembra Leivinha do Palmeiras. (ˆ_ˆ;)

Razão para não acreditar na imprensa brasileira.

Darcy Suzuki | Atualidades, Imprensinha | Sábado, 25 de Agosto de 2007

Entre várias razões de não podermos mais acreditar na mídia tãopiquinim brasileira vou deixar registrado uma só que me ocorreu agora.

Eu bem que queria deixar o Brasil pra lá e desvendar o Japão. Mas o Japão mesmo à deriva, está sempre bem e bem protegida pelos Estados Unidos.

Ah, mas o meu Brasil ainda não definiram o dono e a imprensa não quer largar o osso.

Amanheceu o dia de ontem e os mais conhecidos blogueiros e os jornais do Brasil registraram que o Presidente Lula disse que depois de deixar a Presidência da República:

“- Eu não vou fazer curso em Paris, eu não vou fazer um curso nos Estados Unidos…”

E escreveram debochando: “Ah, vai sim que é bom pra cultura.” Um outro disse: “Não vai porque não sabe falar inglês, nem francês.”

Agora eu leio o discurso na íntegra e entendo o que o Presidente quis dizer e o contexto em que foi dito. Mas as pessoas gostam de deturpar e querem que entendam o que ele não quis dizer.

Vale a pena ler esta parte final do discurso do Presidente Lula:

“Eu tenho uma missão na vida: é governar este País até o dia 31 de dezembro de 2010, para entregar este País para o meu sucessor infinitamente melhor do que aquele que eu recebi. Eu disse no primeiro discurso de posse, Requião: o dia em que cada brasileiro puder tomar café de manhã, almoçar e jantar, eu já estou realizado, porque eu sei o que é isso. Eu sei o que é morar em enchente, porque na minha vida peguei mais de 10 enchentes na minha casa. Eu sei o que é tirar o barro de dentro da casa quando a chuva vai embora, e de tarde chover outra vez e encher outra vez. Eu sei o que é, Requião, acordar no meio da noite com água batendo no colchão, rato tentando se salvar, barata, fezes boiando dentro da casa e a gente ter que levantar quente e pisar no chão para tentar levantar as coisas. Naquele tempo eu não tinha nem geladeira para levantar, a única coisa valiosa que eu tinha para levantar era a minha mãe. Então, a gente tirava a minha mãe da cama, à noite, para que ela não se molhasse. Então, essas coisas que vocês passam eu vivi na pele.

(…)

“Requião, nós vamos lançar agora um programa para a juventude. É um programa para cuidar de 4,5 milhões de adolescentes que, se a gente não cuidar, o crime organizado cuidará, se a gente não cuidar, a droga cuidará. Foi por isso que nós criamos o ProUni. Quando nós criamos o ProUni, Requião, sabe qual foi a manchete? “Presidente Lula nivela a educação por baixo”. São 360 mil adolescentes que entraram na universidade, meninos da periferia.

“Pois bem, agora o Ministério da Educação fez o teste. Em 14 áreas, incluindo medicina, arquitetura e engenharia, os melhores foram os alunos do ProUni. Requião, em 2003 eu descobri que no Brasil tinha uma coisa chamada Olimpíada da Matemática. Era uma Olimpíada em que só participava escola particular. A Argentina tinha 1 milhão e 200 jovens participando e o Brasil tinha 278 mil jovens. Os Estados Unidos têm 9 milhões de jovens que participam da Olimpíada. Aí, eu sugeri ao ministro Tarso Genro que fizesse a Olimpíada na escola pública. Disseram para mim: “não, não faz na escola pública, porque as crianças pobres não vão se interessar em participar da Olimpíada”. Eu falei: vamos fazer, e fizemos. No primeiro ano, inscreveram-se 10,5 milhões de crianças e participaram 10 milhões. O primeiro colocado entre 10 milhões de crianças e adolescentes foi um jovem de Brasília, cego, surdo e paraplégico. Ele foi o primeiro colocado na Olimpíada da Matemática.

“Em 2006 repetimos a dose. Em 2006 a Justiça não deixou a gente sequer colocar na televisão, sequer fazer um cartaz nas escolas, porque tinha eleição. Não fizemos nada e imaginávamos que ia ser um fracasso. Pulamos, Requião, de 10 milhões para 14 milhões de crianças inscritas em 2006. Agora, em 2007, já se inscreveram 17 milhões e 300 mil crianças e adolescentes neste País. O que isso me faz acreditar? Isso me faz acreditar que as pessoas não são menores do que as outras, que as pessoas não são mais incompetentes, que as pessoas não são menos sabidas, o que me faz acreditar é que todos nós, seres humanos, estamos apenas à espera de que alguém nos dê a primeira oportunidade. E quando alguém nos dá a primeira oportunidade, a gente vai embora.

“É por isso que o PAC, meus amigos prefeitos e prefeitas, é a oportunidade que a gente tem de levar para a periferia mais empobrecida, para a periferia mais longínqua, o direito à cidadania, o direito à mulher poder dar uma descarga no banheiro, poder abrir uma torneira, um chuveiro e tomar um banho e não precisar ficar tomando banho de bacia dentro de casa.

“Eu morava, Requião, num cortiço na rua Ouriverde, 1156, Vila Carioca, em São Paulo. A gente morava em 27 pessoas neste cortiço. Só tinha um banheiro, não tinha descarga e não tinha chuveiro. Para tomar banho era preciso encher um balde de água, puxar o balde com uma corda, tinha um chuveirinho no balde, e tomava-se banho. Agora, imaginem que todo mundo levantava entre 6 e 7 horas e tinha que sair. Imaginem 27 pessoas, um só banheiro, sem descarga e sem chuveiro. Portanto, se tem alguém que sabe o que vive uma parte do povo brasileiro, é este que está falando com vocês. E da mesma forma que eu cheguei onde cheguei, eu sou obrigado a dizer para vocês: não desanimem porque vocês são pobres, não desanimem porque vocês moram num bairro que não tem água, que não tem esgoto, não desanimem porque vocês estão desempregados, porque eu também já fiquei um ano e meio desempregado. Eu me sentava de sábado e domingo com minha mãe numa mesa, com mais duas irmãs, e a gente ficava olhando um para a cara do outro, porque não tinha um bocado de feijão com água para colocar no fogo. Eu não esmoreci, não desanimei, perseverei, perdi quatro eleições, e hoje sou o presidente da República deste País.

“Portanto, companheiros, eu queria dizer para vocês: não há espaço para desanimar. Hoje, quando a gente perde as coisas, a gente tem movimento organizado, a gente vai na porta de uma prefeitura e a gente consegue alguma coisa. No meu tempo não tinha organização. Se o prefeito fosse bom, ele dava um colchão de capim para a gente. Mas a gente não tinha a igreja organizada como está hoje, a gente não tinha os moradores organizados, a gente não tinha sindicato bom, não tinha o tanto de partidos que tem hoje, não tinha toda essa liberdade. Nós conquistamos isso e podemos conquistar muito mais. Hoje, eu sou presidente da República, vou fazer o que estiver ao meu alcance. Amanhã, eu não sou mais presidente da República, sabe onde eu vou estar? Eu não vou fazer um curso em Paris, eu não vou fazer um curso nos Estados Unidos, eu vou é voltar para a minha gente, que são vocês que me ajudaram a chegar onde eu cheguei.

“Muito obrigado. Obrigado, companheiro Requião, e obrigado ao povo do Paraná.”

Estadão X Estadão

Darcy Suzuki | Atualidades | Segunda-feira, 20 de Agosto de 2007

estadao.jpg

Quem é o da foto??? Pimenta Neves

Só rindo mesmo…

O Brasil está bem de jornal.

A concorrência está brava! Está indefinido qual o pior jornal do país.

É a Folha ou o Estado de São Paulo???

Está difícil decidir!

Verão de 45

Darcy Suzuki | Atualidades | Terça-feira, 14 de Agosto de 2007


O mês de Agosto no Japão é, e deveria ser mais, importante para os japoneses.

Agosto é o mês que foram lançadas aqui as únicas duas ogivas nucleares detonadas sobre um povo até hoje.

Dia 6 de agosto foi na cidade de Hiroshima e no dia 9 na cidade de Nagasaki.

Dita assim, soa estranho. Mas, é assim que se referem os defensores atuais pela paz mundial aqui no Japão.

Afinal, eles acreditam, que como as únicas vítimas das bombas nucleares detonadas restam-lhes a obrigação de alastrar pelo mundo a insensatez e a estupidez de se detonar uma bomba por sobre um povo, e defender com unhas e dentes, a não alteração da Constituição japonesa que não permite o armamentismo. (Voltarei ao assunto numa outra postagem!!!)

A história acima ocorre na cidade de Kobe na província de Hyogo.

Trata-se de um drama baseada numa história verídica de dois irmãos (o menino e a irmãzinha) que tentam sobreviver durante os bombardeios dos ataques americanos.

De livro, virou documentário, desenho animado, filme e agora (acima), um drama para a TV.

O título é Hotaru no Haka, 火垂るの墓, ほたるのはか, Grave of Fireflies, Cemitério de Vagalumes.

O Fredão e o Estadão.

Darcy Suzuki | Atualidades, Imprensinha | Segunda-feira, 13 de Agosto de 2007

estadaofredao.jpg

Uma campanha publicitária do grupo Estadão pisa nos calos dos blogueiros brasileiros.

Trata-se de mais uma demonstração de que a mídia tãopiquinim brasileira está incomodada com a opinião dos indivíduos que ainda tem opinião no país. Bem relatada aqui!!!

Vindo do Estadão não me assusta.

Eis no entanto, um paradoxo, que os mesmos blogs que culpam o governo por tudo o que acontece de ruim no país em perfeita sintonia com o grupo Estadão e os demais midiáticos tãopiquinim brasileiros, estão agora se voltando contra aquele que rege esta orquestração de sons “indignados” do “cansei”.

Eu diria: “Tá vendo. Dá corda prós retrógrados e sinta o mundo que eles vão te oferecer!!!”

Mas, como disse, vindo do Estadão acho até simpático e brando a campanha. Mas anoto, umas diferenças atenuantes:

1 - O Fredão é um sujeito deslocado, mas bastante sensível. O Estadão é um grupo deslocado, mas sem sensibilidade nenhuma.

2 - O Fredão é jovem e tem a eternidade pela frente. O Estadão é velho e esqueceram de enterrar.

3 - O Fredão é uma vítima do seu tempo, um resultado. O Estadão é o arquiinimigo infiltrado, de guerras e revolução, um dos culpados do nosso tempo.

4 - O Fredão é um esforçado, à procura de saídas. O Estadão é um forçado, obstruindo as entradas.

5 - O Fredão ainda brinca com dinossauros. O Estadão é o dinossauro.

6 - O Fredão vota nas eleições. O Estadão já não vota mais.

7 - O Fredão é um cidadão incluído e participante da sociedade. O Estadão já não participa da sociedade, descluidamente.

8 - O Fredão não conhece o Estadão. O Estadão é obrigado a conhecer Fredão.

9 - O Fredão é original e não copia ninguém para se vestir. O Estadão copia a Guardian.

10 - O Fredão merece confiança. O Estadão não.

(ˆ_ˆ;)

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