Um dia o Japão aprendeu…
Fazem 30 anos que este vídeo foi ao ar no Japão.
Sempre que recordo a economia brasileira me lembro desta ícone da cultura pop japonesa.
Momoe Yamaguchi (山口 百恵・やまぐち ももえ)foi uma estrela produzida pela mídia japonesa na entrada dos anos 70. Até então, só o beisebol, o esporte predileto dos japoneses, produziam heróis e megalucros.
Nascida em 1959, foi levada aos 13 anos para o showbusiness japonês. Sempre lembrada pelos cultuadores da ídola, vivia com a mãe num casebre nos arredores de Tóquio que tremia todo, quando o trem passava triscando as paredes.
A graça, a timidez, o desajeito e as nuances de uma raça renovada e, agora, bem nutrida; faziam da jovem Momoe um disparate à beleza local.
Rapidamente foi erguida no apogeu do entretenimento. Cantou canções, realizou filmes, gravou comerciais, deu entrevistas e foi amplamente agendada nos programas de rádios e TVs naqueles anos. De 1973 em diante…
Desde os Beatles londrino os tecnocratas do showbusiness japonês se especializavam na produção de baluartes da economia que correspondem a gestação de um ídolonegócio.
Aprenderam a promover e vender um personagem. De fotos avulsos e posterizados a copos, camisetas, souvenirs, gravados com o nome; megashows, megaparições, megaacordos contratuais; ganhavam os pequenos fabricantes de chaveiros de um subúrbio qualquer, ganhavam os jovens do norte e sul do país, que se dirigiam às metrópoles, munidos de um sonho de cruzar com a ídola pelas ruas, ganhavam os velhinhos uma neta, que diferente dos netos verdadeiros, os visitava todo santo dia pelos raios de uma TV ligada.
Os jornais e a imprensa local ganhava assunto para se venderem exemplares (Que é o que importa mesmo!) e viverem dignamente melhorando as suas redações e suas relações, não precisando se prostituir e viver sempre às custas do poder, como num país tropical que conhecemos. As redes de TVs se encantavam com o número das audiências dos programas com as aparições da ídola. Registra-se a marca de 82,9% de audiência no IBOPE japonês naqueles anos.
Deu-se uma trégua então, para continuar a reconstrução do Japão.
E a ídola fez a sua parte divinamente.
Em 1980, no auge da carreira, ela anuncia que se casará com o ator de filmes Tomokazu Miura e abandorá a profissão para se dedicar à família.
Em outubro daquele ano realiza um megaconcerto final de despedida, e desde então, não há mais aparições públicas da, hoje, senhora Miura Momoe.
Fez a sua parte, tornou-se um mito, fabricado midiaticamente, e permanece vivo no pensamentos de nós, pobres admiradores, que sonha um dia ainda em cruzar com ela num supermercado nas vizinhanças de algum lugar do Japão.
Quem sabe um dia, no Brasil, alguém aprende a produzir notícias e fatos com responsabilidade. Não, para defender o seu patrão, o seu mecenas, o seu grupo, a sua empresa ou corporação, mas, para vender sonhos.
P.S.s
:: Numa outra oportunidade vou traduzir a letra desta música no Pré-Curso de Japonês.
:: A personagem cabeluda que aparece no vídeo é a cantora americana Ann Lewis (アン・ルイス) que tornou-se famosa como roqueira no Japão bem mais tarde. Cantando canções de sucesso que muita gente entoa ainda hoje nos karaokês do planeta. No vídeo, ela apenas vem “visitar” a amiga Momoe e não parece ali, mas trata-se de uma outra menina que se revelaria uma beldade logo depois, um pouco mais crescidinha…