Um dia o Japão aprendeu…

Darcy Suzuki | Recordar é viver, Atualidades | Domingo, 29 de Julho de 2007

Fazem 30 anos que este vídeo foi ao ar no Japão.

Sempre que recordo a economia brasileira me lembro desta ícone da cultura pop japonesa.

Momoe Yamaguchi (山口 百恵・やまぐち ももえ)foi uma estrela produzida pela mídia japonesa na entrada dos anos 70. Até então, só o beisebol, o esporte predileto dos japoneses, produziam heróis e megalucros.

Nascida em 1959, foi levada aos 13 anos para o showbusiness japonês. Sempre lembrada pelos cultuadores da ídola, vivia com a mãe num casebre nos arredores de Tóquio que tremia todo, quando o trem passava triscando as paredes.

A graça, a timidez, o desajeito e as nuances de uma raça renovada e, agora, bem nutrida; faziam da jovem Momoe um disparate à beleza local.

Rapidamente foi erguida no apogeu do entretenimento. Cantou canções, realizou filmes, gravou comerciais, deu entrevistas e foi amplamente agendada nos programas de rádios e TVs naqueles anos. De 1973 em diante…

Desde os Beatles londrino os tecnocratas do showbusiness japonês se especializavam na produção de baluartes da economia que correspondem a gestação de um ídolonegócio.

Aprenderam a promover e vender um personagem. De fotos avulsos e posterizados a copos, camisetas, souvenirs, gravados com o nome; megashows, megaparições, megaacordos contratuais; ganhavam os pequenos fabricantes de chaveiros de um subúrbio qualquer, ganhavam os jovens do norte e sul do país, que se dirigiam às metrópoles, munidos de um sonho de cruzar com a ídola pelas ruas, ganhavam os velhinhos uma neta, que diferente dos netos verdadeiros, os visitava todo santo dia pelos raios de uma TV ligada.

Os jornais e a imprensa local ganhava assunto para se venderem exemplares (Que é o que importa mesmo!) e viverem dignamente melhorando as suas redações e suas relações, não precisando se prostituir e viver sempre às custas do poder, como num país tropical que conhecemos. As redes de TVs se encantavam com o número das audiências dos programas com as aparições da ídola. Registra-se a marca de 82,9% de audiência no IBOPE japonês naqueles anos.

Deu-se uma trégua então, para continuar a reconstrução do Japão.

E a ídola fez a sua parte divinamente.

Em 1980, no auge da carreira, ela anuncia que se casará com o ator de filmes Tomokazu Miura e abandorá a profissão para se dedicar à família.

Em outubro daquele ano realiza um megaconcerto final de despedida, e desde então, não há mais aparições públicas da, hoje, senhora Miura Momoe.

Fez a sua parte, tornou-se um mito, fabricado midiaticamente, e permanece vivo no pensamentos de nós, pobres admiradores, que sonha um dia ainda em cruzar com ela num supermercado nas vizinhanças de algum lugar do Japão.

Quem sabe um dia, no Brasil, alguém aprende a produzir notícias e fatos com responsabilidade. Não, para defender o seu patrão, o seu mecenas, o seu grupo, a sua empresa ou corporação, mas, para vender sonhos.

P.S.s
:: Numa outra oportunidade vou traduzir a letra desta música no Pré-Curso de Japonês.
:: A personagem cabeluda que aparece no vídeo é a cantora americana Ann Lewis (アン・ルイス) que tornou-se famosa como roqueira no Japão bem mais tarde. Cantando canções de sucesso que muita gente entoa ainda hoje nos karaokês do planeta. No vídeo, ela apenas vem “visitar” a amiga Momoe e não parece ali, mas trata-se de uma outra menina que se revelaria uma beldade logo depois, um pouco mais crescidinha…

Uma conversa muito interessante…

Darcy Suzuki | Atualidades | Quinta-feira, 26 de Julho de 2007

Maurício Dias (Diretor-adjunto da revista Carta Capital) - Então a questão continua fazer o Governo sangrar e Lula sangrar até chegar em 2010. Terminada essa crise dos aeroportos e todos nós torcemos para que isso se restabeleça o mais rápido possível…

Paulo Henrique Amorim – Como consumidores, antes de qualquer coisa.

Maurício Dias – Exatamente. Vai surgir outras, não tenha dúvida. Porque tem sido assim, uma sucessão de crise atrás de crise.

Paulo Henrique Amorim – Você que já viu muita água por baixo da ponte, você já viu a mídia brasileira tão unida e tão feroz?

Maurício Dias – Nunca! Nunca! Teve um momento que houve uma aproximação disso, foi em 64, exatamente, quando a mídia toda apoiou o golpe de 64. Inclusive alguns arautos aí hoje da liberdade de imprensa apoiaram o golpe e acabaram, enfim, tendo um papel…

Paulo Henrique Amorim – Estadão, O Globo, a Folha, todos eles…

Maurício Dias – Todos eles. Mas houve um acordo. Há um livro maravilhoso de uma americana mostrando que houve um pacto naquele momento para que o golpe se desse de uma maneira consensual. E só depois, quando veio o AI-5 é que começou haver uma…

(…)

Paulo Henrique Amorim – Haveria um acordo hoje? Ou não precisa?

Maurício Dias – Paulo, não precisa. Quer dizer, não precisa explicitar. Os gregos têm uma expressão chamada agrafa dogmata, que é a lei não escrita, é o acordo não escrito.

Paulo Henrique Amorim – (risos)… Mauricio, você está impossível…

Maurício Dias – (risos)… É que eu vi so “300 de esparta”.

Trecho de um post da Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim. Leia a entrevista na íntegra.

As palavras chaves no Japão hoje!!!

Darcy Suzuki | Na sintonia do momento | Domingo, 22 de Julho de 2007

Saiba o que é notícia no Japão hoje!!!

上京     じょうきょう      ジョウキョウ
JOUKYOU
Dirigir-se à capital

Atenção para não confundir com a mesma palavra escrita num outro kanji (状況) que significa condição atual, situação, e que é bastante usual.

Desde os tempos antigos na era Meiji, quando a capital era Kyoto (京都)e o indivíduo era chamado pelo monarca ou se dirigia para onde vivia o imperador, usava-se este termo “subir à capital”.

Atualmente, como a capital fica em Tóquio (Hoje não necessariamente, mas coincidentemente, porque o imperador vive na cidade também.) o termo é exclusivamente usado para designar “dirigir-se a Tóquio”.

Quando o noticiarista diz sobre a situação das estradas e rodovias do país, usa os termos nobori (上り)”subida” e kudari(下り)”descida”. Termos, estes, que seguem a mesma linha de pensamento. Subida é dirigir-se à capital e descida é distanciar-se dela.

礼儀      れいぎ      レイギ
REIGUI
Cortesia, boas maneiras

Em verdade, esta é uma das palavras que eu não encontro uma tradução satisfatória. Porque o estrangeiro, cada qual, traz os ensinamentos próprios das boas maneiras de acordo com a sua cultura.

Diferentemente, as boas maneiras japonesas são extremamente minunciosas. E dificílimo de captar. Só a convivência e uma certa complacência de ambas as partes podem nos ensinar os códigos da cultura japonesa.

Para se ter uma idéia da minunciosidade…

Eu só ando com cartão de crédito, cartão de trens e o equivalente a 20 dólares no bolso. E eu não usava carteira até então, quando derrubei 10 dólares nos corredores do metrô de Osaka. Não sei como.

Uma japonesinha parecida com a Penelope Cruz (*_*;) vem correndo me entregar o dinheiro caído, todo amassado, qual de bêbado no bar da esquina. Sem me dizer nada, fez o gesto com a mão: Tó!!! Eu bem que queria dizer que não era meu aquilo, mas 10 de apenas 20 dólares era muito dinheiro. Agradeci.

Ficou uma certa mágoa com a calada Penelope Cruz. Nem uma palavrinha??? Tó??? Em gesto???

Eis que no inverno passado, uma japonesinha parecida com a Jennifer Lopez me elucida o fato transcorrido.

Eu já tinha a visto no meu local de trabalho portando um cachecol xadrez em vermelho e preto. E num outro momento, na saída do elevador, encontrei o tal cachecol no chão. Peguei a peça e me dirigi a portaria principal procurando a Jennifer. Avistei ela no meio de um grupinho e fui lhe entregar. Ela me olhou espantada e me perguntou onde havia encontrado o cachecol.

Naquela hora eu travei. Se eu dissesse simplesmente, que ela havia deixado cair em frente ao elevador soaria uma acusação de desleixo à Jennifer. Se eu dissesse que encontrei caído em frente ao elevador, ficaria o mesmo ar de descuido que em verdade eu nem havia presenciado. Há outras zilhões de formas do cachecol aparecer caído no chão em frente ao elevador. Então, fiz uma cortesia: Apontei lá pros fundos, por ali ó!!! Com as mãos…

Trata-se da boas maneiras do jeito de ser japonês!

ぐぐる  ググル
Guguru
Googlar

Assim como na língua inglesa, o famoso procurador de dados Google Search criados por Larry Page e Sergey Brin em 1996, tornou-se verbo por aqui. Guglar, eu guglo ou guglando (To google, I google, googling) virou Guguru, Gugurimassu, Guguttemassu.

A imprensa em paranóia.

Darcy Suzuki | Atualidades | Quinta-feira, 19 de Julho de 2007

A imprensa no Brasil se encontra numa paranóia alarmante.
Só para registro…

***

O Presidente Lula foi vaiado na abertura do Pan e foi impedido, foi lhe negado, a realizar o discurso de abertura dos jogos no Rio.

A imprensa midiática tãopiquinim festejou, comemorou. E contaram, e repetiram, e interpretaram, e promoveram.

Até surgirem boatos de que era uma “coisita provocada” pelo prefeito do Rio, Cesar Maia.

Daí, a imprensa midiática tãopiquinim recua e retira os adendos das vaias.

***

Cai o avião da TAM e a imprensa midiática tãopiquinim em peso, festeja, comemora.

E contam, e repetem, e interpretam e promovem.

O candidato à Presidência do Brasil, José Serra, até que enfim, sai do buraco do metrô que desabou, e vem para Congonhas dizer sobre o que não sabe. Diz ele, que ouviu de um bombeiro que a torre do Aeroporto registrou o piloto do avião dizer antes do acidente: “Vira! Vira Vira!”

E a Globo cede generosamente o espaço ao governador, agora, foca.

A imprensa midiática tãopiquinim, e de todo o mundo, não é capaz de falar mal da TAM, da Airbus, da Gol, de Boeing, da Embraer, da KLM, da JAL, porque estas empresas são a receita, o lucro da sua atividade. E aí é que mora o perigo do mundo atual.

A TAM faz o que quiser; não divulga rapidamente a lista dos passageiros a bordo, demora a reconhecer o acidente, não atende os parentes das vítimas e ainda defende o aeroporto de Congonhas, que segundo ela, é segura, não tem problema de grooving, e provavelmente, deve ser muito lucrativa ainda. Pela fala…

***

E eu grito à imprensa midiática tãopiquinim:

- Vira! Vira! Vira!

As vaias para o Lula no Pan…

Darcy Suzuki | Atualidades | Domingo, 15 de Julho de 2007


As vaias para o Lula no Pan… sendo ensaiadas.

Eu gosto do Brasil por estas coisas. AMO!!!

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