As palavras chaves no Japão hoje!!!

Darcy Suzuki | Na sintonia do momento | Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008


芝居    しばい    シバイ
Shibai
Teatro

Esta é uma palavra discriminada no Japão. Etimologicamente é um termo funesto e ligado ao indevido, à ironia, à farsa, ao construído, à cópia. Esta à acusação que era, e ainda é, muito comum feita aos japoneses.

Para se livrar desta, todos os teatros japoneses tem outros nomes. Do kabuki ao rakugo, do monomane ou manzai, é tudo menos teatro.

Uma palavra simples e inocente, mas precavidos, não a utilizem sem conhecer os seus interlocutores. Ao dizer, por exemplo: “Eu faço teatro.”, algum japonês talvez pense (Japoneses não falam o que pensam.): “Mas que pessoa autêntica!!!)





敏感   びんかん   ビンカン
Binkan
Sensitivo

O termo veio à reboque junto a palavra abaixo.

Refere-se a um termo muito interessante para conhecermos o caráter e a personalidade do homem japônico e da mulher japonesa.

Particularmente, eu acredito que o japonês, na sua grande maioria, são bastante sensitivos. Apesar de descrer em qualquer nuance determinista, ao olhar a neve que cai lá fora, suponho uma criança a observar, calma e silenciosa, o silencioso flocos que caem bailando leve e demorado sobre o ar rarefeito a se pôr no parapeito da janela. Não cresceria sensitiva e gentil esta criança?

Uma infância assim quando contrariada não esfaquearia ninguém segundo a minha lógica. Mas esfaqueiam sim, para desentendermos a natureza humana.






鈍感     どんかん    ドンカン
Donkan
Insensitivo

Trazida à tona pelo romancista e ensaísta Jun’Ichi Watanabe (渡辺 淳一) no seu livro intitulado O Poder da Insensitividade (鈍感力), onde ele expressa os atenuantes e o equilíbrio tão necessário nas vazantes emocionais das nossas relações humanas.

Para uma perfeita harmonia há que existir um casamento de níveis de sensitividade e insensitividade tolerável entre as pessoas, e mesmo esta última, é muito importante numa relação relembra o autor.

Na sua posição politicamente incorreta, mas bastante compreensível, ele aponta que o ideal é uma mulher bastante sensível e um homem pouco sensível. Pouco sensível não é o bruto, é o Pluto, aquele que na dificuldade vai dormir. E consegue!!!

É verdade, mesmo porquê, você perfeccionista, não deve brigar com seu marido quando ele esquece de comprar o tomate pra sua macarronada. Existe alho e óleo pra quê?

Detestável é ser obrigado a assistir “E o vento levou…” e chorar… Aí, foi intolerável… (ˆ_ˆ;

Notas:

1- Os termos sempre sugerem a indagação: Afinal, eu, você, somos binkan ou donkan em nossa essência???

2- Uma sentença elucidativa que li na net: Sensitivo (binkan) com as dores que nos provocam e insensitivo (donkan) com as dores que provocamos.

As palavras chaves no Japão hoje!!!

Darcy Suzuki | Na sintonia do momento | Domingo, 30 de Dezembro de 2007



年賀状     ねんがじょう     ネンガジョウ
Nengajyou
Cartão Postal de Ano Novo

Consta que só a Coréia do Sul, China e Taiwan mantêm esta cultura de envio de felicitações via cartões postais.

(Grande parte destes cartões contêm uns números que concorrem prêmios que são divulgados no segundo domingo de janeiro. E o ganhador tem seis meses para requerer o prêmio nas agências do Correio japonês.)

Mesmo com o frear da economia, o número de cartões enviados, no ano passado ultrapassou a casa do 3,7 bilhões de cartões. Este ano foram impressos 3,9 bilhões de cartões.

Deveria ser escrito em próprio punho e felicitar o novo ano num canto poético celebrando a natureza. No caótico Japão atual, tem sido na impressora mesmo, com os mesmo dizeres na língua nacional: ”Happy New Year” até. Mesmo devidamente escrito em japonês, e em série, contêm pouco sentimento.

É assim!



歳暮    せいぼ    セイボ
Seibo
(Quando for pronunciado dedicando-o ao próximo deve-se acrescentar a letra o: oseibo)
Oferecimento, presente…

Nas mudanças das estações os japoneses trocam oferendas entre si. São caixas muito requintadas, com invólucro que torna-se mais cara que produto. O do final de ano, também chamado de oferenda de Inverno, chamam-se seibo enquanto está nas suas mãos a que você comprou. Ao entregá-lo chama-se-irá oseibo. Osseibo. O que você ganhar também se chamará oseibo. (Para complicar mais a língua japonesa.)

E as lojas de departamentos reservam andares completos com amostras de todo o tipo de presentes. De cafés solúveis à carne fresca, de utensílios para a cozinha aos produtos de limpeza.

Perguntei a um japonês ainda quando eu era ingênuo e eles eram muito sinceros comigo:
- Afinal, para quem que vocês enviam estas oferendas???
Me respondeu com aquele pragmatismo japonês:
- Bem, enviamos para aqueles que nos prestaram favores durante o ano.
Pensou um pouco e com um sorriso incontido e transbordante completou:
- Mas, o mais importante: enviamos também para aqueles que queremos que nos prestem favores no próximo ano.



鼠   ねずみ   ネズミ
Nezumi
Rato

O ano de 2008 no calendário chinês corresponde ao ano do rato.

Maus presságios, o mundo financeiro precisando esconder os prejuízos dos papéis podres do subprime, os analistas econômicos japoneses em quem acredito dizendo que o ano vai ser ruim, a líder Benazir Bhutto fazendo o seu papel em prol dos Estados Unidos, queira que no próximo ano algum país não invente de querer conhecer o Paquistão. Olha, de ratos estamos cheios!

Mas todo ano que começa assim tem tudo para ser bom. Pior não pode ficar.

Tenho repetido a ladainha fazem anos… Mas…

Uma ótima passagem de ano a todos que passarem por aqui.

Felicidade e ambiente, nós que as fazemos! Feliz 2008!

As palavras chaves no Japão hoje!!!

Darcy Suzuki | Na sintonia do momento | Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007

第三セクター  だいさんせくたー  ダイサンセクター
Dai San Sêcutaá
Terceiro Setor

Partindo do conceito de que o Primeiro Setor sejam o governo e seus orgãos emanados, o Segundo Setor seriam as empresas privadas e o Terceiro Setor, então, são as associacões, fundações e organizações. NPOs e ONGs.

Acontece porém, que no Japão, no Terceiro Setor também há empresas. As empresas públicas.

Um exemplo interessante foram as Olimpíadas de Tokyo em 1964.

Para a sua realização, necessitou-se uma infraestrutura para sediá-la e o governo incentivou a criação de vários serviços que foram mantidas depois do término dos jogos. Na ocasião, foram criadas cerca de 200 empresas. E muitas destas empresas estão ativas até hoje. Algumas delas no Terceiro Setor e a outra grande parte no setor privado e alavancando a economia japonesa.

Lembrando que 2014 o Brasil vai sediar a Copa, gostaria de lembrar quais os serviços que restaram do nosso Jogos Pan-Americanos no Rio.

フィブリノゲン   ふいぶりのげん
FIBRINOGEN
Nome Próprio do Medicamento (Sem Tradução)

O medicamento acima foi desenvolvido nos Estados Unidos e é baseado numa proteína produzida em laboratório chamado fibrinogênio. Foi utilizado em operações cirúrgicas e tratamentos que ocorrem muitas perdas de sangue e a consequente transfusão posterior, quando era prescrita para estancar a hemorragia e reparar o vaso sanguíneo.

Foi utlizada nos Estados Unidos para o tratamento da hepatite tipo B até 1977 quando perdeu a autorização de sua comercialização devido a sua duvidosa eficácia, ou falando na lata, a sua perfeita ineficiência.

No entanto, a extinta empresa Midori Sekijuuji Co. (atual Mitsubishi Tanabe Pharma Co.) desde 1969 desenvolvia um produto semelhante e colocou-o no mercado japonês. (Entenda-se: na prescrição e utilização via orgãos governamentais, hospitais e clínicas. E não comercialmente.)

Por vias que poucas pessoas se arriscam a explicar, a empresa fabricante, de 1969 até 2004, continuou produzindo os medicamentos e suas variantes, infectando e levando à morte um número ainda inestimável de pessoas, e, registrando um plantel de perdas de processos judiciais.

Volta aos jornais agora, quando aparece nas mãos no Govêrno uma lista com 418 nomes de pessoas que se tratavam com o medicamento. Muitos dos que estão na lista não estão no mundo.

Estima-se que os usuários do medicamento da empresa supere os 2 milhões de cidadãos.

Inocentemente os jornalistas apontam o microfone ao premier Yasuo Fukuda à saber do seu parecer sobre o caso. Antes que ele diga algo, um longo suspiro que eu traduzo:

- Mas, eu estou aqui só temporariamente…

ゼネコン  ぜねこん
Zênecon
(Contração da palavra inglesa General Contractor, Empreiteira de Construções)

Esta palavra é uma espécie de tabu na economia japonesa. Aconselhável não dizer que se sabe.

Teima-se na sociedade japonesa a extinção do termo, afinal, foram as grandes empreitadas que construíram toda a riqueza nacional japonesa. Das rodovias que dão em aeroportos iluminados via postes construídos por árduos turnos de trabalho baixamente remunerados, muitas vezes, por mãos estrangeiras; assim sendo, brasileiras, e aqui, a nossa relação com a palavra.

Acontece porém, que esta singela palavra é uma congruente universal na economia atual. As construções em todo o mundo são subfaturadas e retornam parte delas para mãos que a aprovaram, políticos, que nós cidadãos, aprovamos.

As Camargo Corrêas, as Odebrechts da vida são as zênecon no Japão. Que tem uma particularidade única japonesa: constroem se pontes e elevados muitas vezes desnecessárias somente para alavancar o PIB japonês, ao que um político de oposição àquele exclama no parlamento:

- Sabe aquela estrada que você aprovou??? Aquilo quem utiliza são somente os ursos que a cruzam de vez em quando… (ˆ_ˆ;

As palavras chaves no Japão hoje!!!

Darcy Suzuki | Na sintonia do momento | Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007

高齢化社会   こうれいかしゃかい   コウレイカシャカイ
Koureika Shakai
Envelhecimento da Sociedade

Desde que citado nos anais da ONU (Organização das Nações Unidas) em 1956, esta palavra consta nos noticiários dos países tradicionalmente mais antigos. Considerando o idoso, o cidadão que passou dos 65 anos, nomeia-se que a sociedade está:

EM FASE DE ENVELHECIMENTO

Quando os idosos representam de 7 a 14% da população;
ENVELHECIDA
Quando os idosos representam de 14 a 21% da população, e,
ALTAMENTE ENVELHECIDA
Quando acima dos 21%.

O Japão entrou na fase do envelhecimento em 1970, tornou-se uma sociedade envelhecida em 1994 e altamente envelhecida neste ano (2007), conforme o estabelecido acima. (20.8% em 2006)

O Brasil que já foi um país jovem hoje conta com uma população idosa beirando 14 milhões de pessoas. 8% da população.





少子化    しょうしか   ショウシカ
Shoushika
* Baixa Fecundidade

*Este é um termo que estou traduzindo porque não existe nome a esta decorrência.

Fosse somente a questão do envelhecimento da sociedade não seria alarmante a situação. Além do envelhecimento de algumas sociedades ocorre por várias razões a baixa fertilidade/fecundidade/nascimentos em alguns países mais, em outros países menos.

Utiliza-se neste caso uma funesta e politicamente incorreta forma de assimilar a real situação. Ora, simplifica-se a quantidade de mulheres dividido pelas vidas geradas numa dada sociedade. Filhos por mulher.(Daí, se condena um titular do Ministério de Saúde por ele deixar escapar a nuance de tratar a mulher como uma máquina de produzir crianças. Pudera!)

Mas infelizmente, é a forma utilizada no mundo.

E no Japão as mulheres produzem conforme a última estatística de 2005, 1,26
A Coréia do Sul, 1,08
O Brasil, 1,87 (Na média, né. Como sabemos, alta nas classes menos favorecidas e baixa nas abastadas.)
Mas os Estados Unidos 2,09
E a França, 2,00

Vamos trabaiá mulherada!!! (ˆ_ˆ;





出生率   しゅっしょうりつ    シュッショウリツ
Shusshouritsu (Lê-se Xúxôuritzu)
Taxa de Natalidade

Nascimento a cada 1000 habitantes ao ano. Clique para ver maior.

natalidade.PNG






死亡率   しぼうりつ    シボウリツ
Shibouritsu
Taxa de Mortalidade

Mortalidade a cada 1000 habitantes ao ano. Clique para ver maior.

mortalidade.PNG

As palavras chaves no Japão hoje!!!

Darcy Suzuki | Na sintonia do momento | Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007

Na verdade, esta postagem é retroativa. Eu deveria tê-la escrito antes da postagem anterior.

Mas vamos explicando…

出張     しゅっちょう     シュッチョウ
SHUCCHOU (lé-se Shú-tyou)
Estada à negócios

Trata-se de uma estranha atividade muito comum no Japão das grandes empresas e conglomerados. Creio que o Brasil também caminha para o crescimento de números de pessoas que serão “forçadas” a praticarem tal ato.

Com a crescente demanda da economia japonesa as empresas precisaram se tornar ágeis, flexíveis, competitivas e altamente produtiva. Foram criadas vários postos de trabalho que requerem a mobilidade de um profissional a viajarem, seja para atrair compradores, divulgar produtos, prestar assistência técnica, ou mesmo, assumir postos de confiança, numa região diferente da sua moradia,

São milhares de japoneses que atuam profissionalmente longe de suas famílias a defender “o pão de cada dia” cumprindo as diversas missões que requer este nosso mundo globalizado. Quando muito distante e se o cargo a ocupar for por longo período há os que optam em mudar com toda a família. Mas, atualmente, não há mais longos períodos na vida profissional, fazendo com que as aparições do chefe de família sejam esporádicos.

Criou-se até esta palavra para denominar e justificar porque a mãe não é viúva, o pai não morreu, e, o filho conhece-o apenas pelo telefone.

Uma ponta triste da nossa sociedade.

ばれる    バレル
BARERU
Tornar claro, explanar (verbo)

No Japão dos ninjas, das frases polidas, dos ditos não ditos, das formas de expressão, do cuidado do dizer, este verbo refere-se ao deslize de expor algo, no caso, sempre negativa e maldosamente. Quando se diz que algo “bareru”, nunca é algo bom que “bareru”. (Mas saiba, que isto, hoje, em 2007. É muito comum na língua japonesa os jovens inverterem o sentido das formas de expressão.)

Quando é algo demais percebível, escancarado, se usa a expressão “barebare” que tem até o sonido onomatopéico de algo que se cai quebradiçamente… Bare-bare…

Um frescor jovial no uso das palavras japonesas. Né?!?!?

CM   しー・えむ    シー・エム
SHI-EMU
Comerciais de TV

CM é a abreviação de “commercial message” コマーシャルメッセージ Comaashiaru Messeiji.

No início, quando conheci os comerciais de TV japoneses detestei a forma abreviada de comunicação. Comerciais curtos demais explorando a imagem grandiosa, a qualidade visual e o som detalhadamente escolhido. Gostava dos comerciais brasileiros, aquelas diversões quase novela, aquela ginga, mesmo mal-feita, mal-acabada e ganhadoras de prêmios de criatividade.

Passado o tempo, revejo os comerciais antigos via os iú-tiubis da vida e tenho raiva dos comerciais brasileiros com poucas exceções, devido à mentira embutida e nada culturalmente aproveitada contida naqueles comerciais. Ao contrário, os comerciais japoneses mantêm uma linha de comerciais que além de contarem a história produzem com classe, uma parte de um documentário social de um povo. Acho o máximo, comerciais como este abaixo.

Pena que seja um comercial de uma porcaria.

Mas peço e confio no meu seleto e grandioso público, a sua inteligência, o discernimento…

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